Disfunção das mitocôndrias no espectro autista
- Wanessa Simão
- 28 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de jun. de 2025

Mitocôndrias e autismo: o que essa relação tem a nos dizer?
Você já ouviu falar nas mitocôndrias? Elas são como pequenas usinas de energia dentro das nossas células. São responsáveis por transformar os nutrientes dos alimentos em energia para que o corpo e o cérebro funcionem bem. E é justamente nesse ponto que começa uma conexão importante com o autismo.
O que os estudos mostram?
Muitos estudos recentes têm revelado que a maioria das crianças autistas apresenta sinais de disfunção mitocondrial — ou seja, um funcionamento inadequado dessas “usinas de energia”.
Isso não significa necessariamente uma doença genética rara, mas sim uma alteração funcional que pode estar ligada a vários fatores, como inflamação crônica, exposição a toxinas ambientais, estresse oxidativo, carências nutricionais ou sobrecarga por medicamentos.
Como essa disfunção se manifesta?
Quando as mitocôndrias não estão funcionando bem, o corpo pode ter dificuldade em produzir a energia necessária para o cérebro, músculos, intestino e outros sistemas. Com isso, surgem sintomas como:
Fadiga constante
Atrasos no desenvolvimento motor
Problemas gastrointestinais
Crises convulsivas
Regressão no desenvolvimento
E os exames?
Mesmo em crianças sem diagnóstico formal de uma doença mitocondrial, exames laboratoriais mostraram alterações significativas nos marcadores de energia celular, como aumento de lactato e piruvato no sangue. Esses marcadores estavam, muitas vezes, relacionados à intensidade dos sintomas do autismo.
E no cérebro?
Estudos com exames de imagem e análises de tecidos cerebrais demonstraram que o metabolismo energético está alterado em regiões ligadas à linguagem, comportamento e interação social, reforçando que o autismo não é apenas uma questão comportamental, mas também biológica e metabólica.
Existe um perfil específico?
Um grupo de crianças autistas com disfunção mitocondrial funcional costuma apresentar:
Regressão no desenvolvimento
Atraso para andar
Problemas gastrointestinais persistentes
Crises convulsivas
Fadiga extrema e baixa resistência a estímulos
Por que isso importa?
Porque entender que o autismo pode envolver um corpo em desequilíbrio energético abre caminho para abordagens mais humanas, mais profundas e mais eficazes.
E o tratamento?
Estudos iniciais apontam melhora de sintomas com o uso de suplementos como carnitina, coenzima Q10 e vitaminas do complexo B, além de estratégias para redução do estresse oxidativo e suporte nutricional. Mas cada caso é único — e precisa de uma investigação cuidadosa.
Em resumo:
Este estudo reforça a importância de olhar além do rótulo do diagnóstico e buscar as raízes biológicas do que está por trás de muitos comportamentos autistas.
Como médica homeopata integrativa, acredito que cada criança precisa ser compreendida em sua totalidade. Quando cuidamos da base — da célula, da mitocôndria, da energia vital — o comportamento muda, a vida muda
Rossignol, D. A., and Richard E. Frye. "Mitochondrial dysfunction in autism spectrum disorders: a systematic review and meta-analysis." Molecular psychiatry 17.3 (2012): 290-314.




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