Mitocôndrias e Autismo: por que essas “usinas de energia” merecem atenção?
- Wanessa Simão
- 20 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Mitocôndrias e Autismo: por que essas “usinas de energia” merecem atenção?

Quando falamos sobre o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), é comum ouvirmos sobre terapias comportamentais, fonoaudiologia, integração sensorial… Mas existe um campo menos conhecido e extremamente relevante: o funcionamento das mitocôndrias.
O que são mitocôndrias — e por que elas são importantes?
As mitocôndrias são como “usinas de energia” que existem dentro de quase todas as células do nosso corpo. Elas produzem ATP, a principal molécula que fornece energia para o organismo funcionar. Quando essas usinas falham, o corpo inteiro sente — especialmente o cérebro, que é um dos órgãos que mais consome energia.
Diversos estudos já mostraram que muitas crianças no espectro autista apresentam disfunções mitocondriais. Isso significa que suas células não conseguem produzir energia de forma eficiente, o que pode comprometer funções cognitivas, emocionais e comportamentais.
Mitofagia: o sistema de limpeza celular
Nosso corpo possui um mecanismo chamado mitofagia, que nada mais é do que a “faxina” que remove mitocôndrias defeituosas e mantém o equilíbrio celular. Em pessoas com autismo, esse processo pode não funcionar direito. Resultado?
Isso é especialmente preocupante em neurônios, células do cérebro que não se renovam com facilidade e dependem de mitocôndrias saudáveis para funcionar bem.
E o que isso tem a ver com os sintomas do autismo?
Quando o cérebro está com pouca energia e excesso de toxinas celulares, isso pode se manifestar como:
Irritabilidade constante
Dificuldade de concentração
Problemas de linguagem
Atraso no desenvolvimento
Agressividade ou apatia
Ou seja, o mau funcionamento mitocondrial pode ser uma das peças ocultas nesse quebra-cabeça tão complexo que é o autismo.
E como tratar? Existem alternativas integrativas?
Sim! Algumas abordagens integrativas vêm mostrando resultados promissores ao focar no suporte mitocondrial. Entre as estratégias mais estudadas estão:
Coenzima Q10 (ubiquinol) – melhora a produção de energia
Vitaminas antioxidantes (como E, C, B1, B6, B12) – combatem o estresse oxidativo
N‑acetilcisteína e acetil-L-carnitina – protegem e regeneram as mitocôndrias
Dietas cetogênica e Atkins modificada – modulam o metabolismo energético
Essas abordagens podem, em alguns casos, melhorar a interação social, reduzir comportamentos repetitivos e até diminuir o estresse dos cuidadores. Claro: tudo deve ser feito com avaliação médica e acompanhamento individualizado.
Um novo olhar para o tratamento
Observar a saúde mitocondrial é um passo importante quando pensamos em tratar a criança de forma completa — e não apenas silenciar os sintomas.
É preciso ir além da superfície. Avaliar o corpo como um todo. Investigar o que está por trás dos comportamentos. Porque, muitas vezes, o cérebro está pedindo socorro… e começa pelas células.
Int. J. Mol. Sci. 2025, 26(5), 2217; https://doi.org/10.3390/ijms26052217
Dra. Wanessa Barbosa
Médica Homeopata Integrativa




Comentários